As ferramentas da tradução médica, por Francisco Ferreira

Como em tantas outras áreas especializadas, a tradução médica é uma área onde é necessário estar munido do maior número de ferramentas que nos permita validar e justificar as nossas opções tradutórias, garantindo a melhor qualidade possível do trabalho que apresentamos.

Sendo esta uma área de conhecimento tão vasto, pois compreende sub-áreas de especialização tão diferentes e tão complexas, o tradutor médico deve estar equipado de diversos recursos, fontes fiáveis e de formação na área.

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Começando pela formação – a oferta de cursos grátis online (os MOOC – Massive Open Online Courses) é cada vez maior. Quantidade nem sempre é sinónimo de qualidade e o mais importante é saber onde procurar, e sabendo-o, deparamo-nos com recursos que só pedem em troca o nosso tempo e dedicação. Em termos de plataformas, as minhas recomendações resumem-se a duas: MOOC List e Coursera, ambos sites agregam cursos de instituições de confiança (abrangendo os mais diversos temas e não só as Ciências da Vida). Quanto aos cursos em si, há os mais variados e de diversas áreas – tão diversas quanto a própria medicina – mas pela sua qualidade e transversalidade, se puder recomendar um curso será o de Fisiologia Humana lecionado pela Duke University.

Como em qualquer outra área especializada, e enquanto boa prática de organização de recursos do tradutor, é essencial manter, alimentar e gerir um bom banco de memórias de tradução e de glossários. Tendo em consideração a sensibilidade da informação para o público-alvo das traduções nesta área, é crucial ser consistente na terminologia utilizada para um mesmo cliente e/ou marca.

Tão ou mais importante do que os outros dois aspetos – os recursos. E estes são os recursos essenciais no meu trabalho:

  • MedDRA – o Medical Dictionary for Regulatory Activities, a fonte oficial da European Medicines Agency (EMA), é a plataforma de terminologia de excelência desta área. Por apresentar uma longa e compreensiva lista de termos traduzidos e ser a fonte oficial de terminologia da maior agência médica europeia, esta é uma ferramenta obrigatória. Esta é a plataforma que nos permite validar opções tradutórias e que salvaguarda o nosso trabalho em eventuais discussões com os clientes;
  • Infarmed – a referência nacional desta área, embora o seu site ainda tenha muito a melhorar em termos de acessibilidade. No entanto, uma pesquisa no Google pelo termo em questão seguido de “site:infarmed.pt” (sem as aspas; fica aqui um exemplo) obriga o motor de pesquisa a procurar dentro do site do Infarmed. Este é um ótimo método para validarmos o nome de um certo composto de um medicamento ou de um sintoma específico. É mais uma ferramenta que permite melhor confirmar as nossas opções e outra forma de defendermos essas mesmas opções perante o cliente;
  • Guia de Referência Rápida para os Critérios de Diagnóstico – DSM-5 (Climepsi, 2015) – o guia rápido que complementa o DSM-5 – Manual de Diagnóstico e Estatística das Perturbações Mentais (Climepsi, 2015) e a versão mais atualizada da grande referência da saúde mental a nível mundial. Neste guia prático encontram-se as classificações das perturbações mentais, assim como os critérios de diagnóstico das mesmas. É um volume obrigatório para fonte e referência da tradução no campo da saúde mental;
  • Infopédia e The Free Dictionary – dois dicionários, em português e inglês respetivamente, de acesso fácil e gratuito. Embora não tenham sido concebidos de forma exclusiva e específica para área médica, apresentam ambos definições em contexto de medicina, sendo que o The Free Dictionary é um recurso consideravelmente mais extenso, tendo a sua própria secção dedicada a esta área;
  • Linguee e IATE – poderão ser as duas plataformas mais utilizadas entre tradutores mas nunca é demais relembrar que, embora tenhamos de ser críticos na sua consulta, são excelentes ferramentas. O Linguee ainda peca muito pela qualidade das fontes que apresenta nos seus resultados e o IATE, embora fonte oficial da UE, ainda apresenta alguns resultados com fiabilidade reduzida (indicada pela própria plataforma).

E quanto a vocês? Que plataformas utilizam para formação nesta área e que cursos recomendam? E quais os recursos que utilizam para garantirem a melhor qualidade do vosso trabalho?

Fico à espera de vos ouvir!

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Para saber mais sobre o autor, siga-o no Twitter ou no LinkedIn.

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